A notícia que os professores irão fazer greve no primeiro dia de exames nacionais (17 de Junho) originou um verdadeiro churrilho de argumentos contra a mesma por parte do Ministério da Educação assim como da Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP). Os argumentos são que tal medida lesa os alunos e que os mesmos devem ser defendidos. Que tal linha de raciocínio venha do Ministério até compreendo, mas da CONFAP é completamente ridículo.
Se estes cavalheiros quisessem de facto defender os interesses dos seus filhos, aprovavam esta greve, e todas as demais que têm sido convocadas.
Um Professor, neste momento, passa cerca de 80% ou mais do seu tempo a fazer tudo menos aquilo que é suposto, que é instruir. E notem bem que o termo é INSTRUIR e não educar. A educação vem do Lar, e neste momento é muito, mas mesmo muito má a educação dos alunos portugueses.
Entre preencher relatórios, requerimentos, impressos, duplicados e triplicados, etc, etc, sobra muito pouco tempo para instruir os alunos.
Outro aspecto bárbaro, e para o qual nunca a CONFAP se expressou contra, é que um Professor para chumbar um aluno tem de preencher papelada que nunca mais acaba (que não serve para nada, talvez para limpar o rabo do pessoal do Ministério da Educação), para além de correr o sério risco de ser repreendido pelo director da escola porque os chumbos baixam o ranking (outra barbaridade) da escola. Esta política só tem uma consequência: daqui a uma década Portugal vai ser um País de Senhores Doutores broncos, burros e idiotas, que não sabem fazer nada de útil. Mas os Senhores Papás ficam todos contentes porque o seu filhote é Dr (desempregado, mas Dr).
Meus caros senhores da CONFAP, querem zelar pelo futuro dos vossos filhos? Então acordem para a vida comecem a defender quem lhes vai dar formação para o Futuro, os Professores. Continuem a tratar os Professores como os feios, os porcos e os maus, e dentro em breve os vossos filhos vão ser uma cambada de inaptos com um canudo que não lhes serve para nada.
Francisco de Almeida
p.s. uma imagem que subscrevo na integra
